
Como eu, talvez a maioria de vcs só conheça a versão da Bela Adormecida contada pelos Estúdios da Disney. E eu vou contar a original, cheia de surpresas e motivos para a reflexão.
Vcs se recordam que a Bela Adormecida foi uma criança muito aguardada pelo rei e pela rainha? O casal não conseguia ter filhos até que um dia um sapo apareceu no banheiro da rainha e lhe disse que uma linda, generosa e inteligente menina nasceria no reino. A profecia se concretizou e o casal real fez então uma grande festa para celebrar o nascimento da princesa.
E é agora q entra na história a Lei da Ação e Reação. Havia apenas 12 pratos de ouro, mas 13 fadas-madrinhas protegendo o reinado. Então o casal resolveu não convidar uma delas. Durante a festa, no entanto, essa fada excluída do grande acontecimento apareceu furiosa e rogou uma praga na princesa. Ela disse q a menina morreria aos 15 anos de idade ao se ferir numa daquelas máquinas de tear. Ao mesmo tempo, outra fada, procurou amenizar a praga dizendo que a princesa não morreria, mas dormiria por muito tempo.
Passados 15 anos, o casal real está na floresta e a menina sozinha no castelo. Ela descobre um quarto com a tal máquina de tear, fere o dedo e dorme... por 100 longos anos. Só que na versão original, ela e todo o reinado cai em sono profundo, incluindo seus pais, servos e animais. Nesse tempo todo nenhum príncipe consegue adentrar o castelo para salvar a princesa dessa maldição. E, quando finalmente um príncipe beija a princesa, todo mundo acorda.
O teor da história é político, mas a gente nem percebe. Podemos supor que o reinado é uma sociedade alienada, incapaz de sair de um estado de estagnação no qual fica presa por muitos anos, até que um herói quebra as barreiras do castelo e injeta vida a toda à população adormecida. Era natural os autores daquela época passarem suas visões políticas para as histórias, mesmo se tratando de contos infantis.
Mas voltando à questão da Ação-Reação.... quem teria cometido uma ação negativa em primeiro lugar? A décima terceira fada q não foi convidada para a festa? Não! O casal real foi arrogante ao máximo, priorizando seus pratos de ouro à companhia de mais uma fada. Eles tinham outras opções. Podiam, por exemplo, servir todas as fadas em pratos mais simples, mas preferiram demonstrar pompa e incutir numa fada o sentimento de rejeição. A ação provocou uma reação e todo o reinado foi afetado.
Isso tb acontece com freqüência na nossa vida diária e, muitas vezes, nem percebemos. Claro que ninguém tem o direito de prejudicar ninguém, muito menos por vingança... mas quase sempre topamos com uma reação que nós mesmos plantamos. Quando não tratamos alguém bem ou de maneira educada, não podemos esperar que sejamos tratados com educação. Se nos negamos a ajudar alguém que pede por socorro é possível que mais adiante também nos falte algum apoio importante. Quase sempre a reação não vem da mesma pessoa que afetamos, mas de outra da qual nem desconfiamos.
É o que alguns chamam de “efeito bumerangue”. Em algumas ocasiões a ação é de nós contra nós mesmos: má alimentação, drogas, alcoolismo, cultivar a culpa, auto-críticas severas etc. Volta do mesmo jeito, só que mais rápido, porque a distância é mais curta. Sentimentos que nos reprimem emocionalmente ou ações que nos agridem fisicamente tendem a criar o caos na nossa matéria e na nossa mente... quando não avança tb pro nosso campo espiritual.
Precisamos ter uma atitude mais amorosa conosco e com os demais. Ainda no caso da Bela Adormecida reparem que é um gesto de amor que salva a princesa... um gesto sutil e amoroso que, inclusive, reflete em tudo ao redor. O príncipe não acordou a princesa socando-a ou chacoalhando-a com força. Da mesma forma, às vezes, um simples e sincero pedido de desculpas muda toda uma reação. Um simples reconhecimento de que cometemos um erro, mas que nos perdoamos por isso, impede sentimentos que nos causarão danos mais adiante.
No fundo, o que todo mundo quer é ser respeitado (e tb amado)... tanto as pessoas ao seu redor quanto vc mesmo. Se no lugar do orgulho houver perdão e no da raiva houver compreensão... há uma grande chance das reações negativas serem atenuadas e até anuladas. Nenhum de nós vai viver 100 anos como a Bela Adormecida. É melhor resolver as pendências agora.
A maioria de nós tem o hábito de criar resistência em determinadas situações. Criar resistência é relutar, rejeitar ou se debater em cima de um fato ou circunstância, seja ela passageira ou de efeito mais duradouro. Ocorre que a resistência só agrava a situação.
Estive lendo um livro sobre o poder da intenção, no qual, inclusive, o famoso “O Segredo” se baseou, e que fala dos benefícios da não-resistência. O autor Wayne Dyer diz que quando deixamos de resistir, as coisas fluem de forma a nos direcionarem para o melhor caminho, sem negação, sem esforço, sem luta.
Dia desses, conversando com um amigo, ele me deu alguns exemplos interessantes de não-resistência que gostaria de compartilhar com vcs porque, do mesmo jeito que me ajudaram a ter uma outra visão de determinada situação que eu enfrentava, podem tb ajudar vcs caso estejam passando por algum momento semelhante.
Ele contou a história de uma colega de faculdade. A garota entrou em duas universidades, cada uma num curso diferente e muito longe uma da outra. Conclusão: precisava urgentemente se decidir por uma porque não teria condições de manter as duas. O problema: desistir de qual se as duas a interessavam?
Esse exemplo se encaixa na nossa vida prática quando tb nos sentimos numa encruzilhada do tipo: que caminho seguir? Que pessoa, trabalho, cidade ou tipo de vida escolher? Ou seja, aquela dúvida que cresce tanto na nossa cabeça que a gente fica totalmente atordoada.
A colega do meu amigo tinha essa mesma turbulência dentro da mente dela. Então, quando voltava para a faculdade depois de xerocar um trabalho para um dos cursos, bateu uma forte rajada de vento e todo o material voou das mãos dela. E tudo, absolutamente tudo, caiu dentro de uma casa abandonada que ela nem tinha como adentrar para pegar. Nesse momento ela parou de resistir à idéia de “ter que escolher” entre uma coisa e outra. Simplesmente deixou a rajada de vento decidir. Se o trabalho se perdeu, pensou, não era aquela faculdade que ela deveria seguir.
Claro que não podemos dizer se a decisão dela foi a mais assertiva. Isso só o tempo dirá. Mas a mensagem que fica desse exemplo é que ela simplesmente parou de resistir e deixou a resposta fluir pelo acaso, sem tortura mental. Apenas deixou fluir e aceitou a resposta que lhe foi dada pelo, digamos, destino... se é assim que se pode dizer.
Outro exemplo é de um homem que caiu numa cachoeira e estava lutando com todas as suas forças para alcançar a margem. O problema é que a correnteza era muito forte e ele não conseguia nenhum progresso batendo freneticamente os braços. Então teve o insight de parar de resistir e deixar a correnteza o levar. E ele foi arrastado pelas águas por um trecho em que havia um grosso tronco de árvore no qual pôde se apoiar e saltar para fora do perigo. Quando ele parou de lutar veio a solução. Ela apenas veio, de mão-beijada e ele, naturalmente, a agarrou.
Muitas coisas acontecem dessa forma. Quando a gente para de pensar no assunto que nos aflige, a solução vem sozinha, sem a gente se exaltar, brigar, ofender, sem a gente sair do nosso eixo de equilíbrio. Parece que nosso inconsciente, somente nesse exato momento de não-resistência, consegue trazer à tona a mensagem ou resposta que tanto aguardávamos. No fundo as respostas estão dentro da gente, o problema é que na ausência de paz interior elas não emergem, não fluem.
Espero que esses exemplos possam ajudar vcs a deixarem as coisas fluírem sem qualquer resistência. Deixem o vento soprar, a água levar... deixem as coisas acontecerem sem a insistente e, quase sempre, inútil tentativa de manipular os resultados. Tem uma antiga música dos Titãs que diz assim: as respostas estão todas no chão... vc tropeça e encontra a solução.
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